Pra não dizer que não falei de junho

Brasil, São Paulo, Junho de 2013

Durante aquelas duas semanas no mês de junho de 2013, muitas pessoas sentiam que algo mudaria fortemente na sociedade brasileira. Foram enormes passos para o desenvolvimento de consciência e anseio por mudança, mas que em pouco tempo foram retraídos. Nós demos 10 passos e voltamos 9. Vimos onde poderíamos chegar e isso manteve a sede pela mudança ainda viva em muitas pessoas. Hoje o despertar político na população é como é por causa das Jornadas de Junho.

As Jornadas de Junho, que foi carinhosamente apelidado pela grande mídia, foi um momento em que aquela população que estava politicamente inerte a décadas decidiu agir, discutir e refletir. O aumento da tarifa do transporte público em diversas capitais do Brasil levou a juventude para as ruas. Protestaram e marcharam pelas cidades pedindo revogação deste aumento que afetaria, ironicamente, o bolso de quem ali não estava. Em Porto Alegre a polícia recebeu este ato com violência, indignando ainda mais esses jovens cheio de energia. Os protestos não demoraram a espalhar. A violência por parte do Estado não passou desapercebida quando o foco foi a classe média. No dia 13 de junho as pessoas pediram um basta, quando em São Paulo, ao menos 5 mil pessoas tomaram as ruas enquanto a polícia detinha manifestantes e jornalistas que carregavam vinagre - que era utilizado para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo.

A marcha seguiu do centro da cidade em direção a Avenida da Consolação, uma das mais movimentadas da cidade. Foi ali que pacificamente a massa tentou passar e a repressão tomou posse. Sobrou para todos. Quem estava no trânsito,  quem estava na faculdade e até quem estava simplesmente passando. Uma repórter da Folha de S. Paulo foi atingida no olho por uma bala de borracha. Ao menos 240 detidos e dezenas de feridos foi o suficiente para que no próximo ato levasse em torno de 1 milhão de pessoas às ruas do país. Alguns dias depois prefeituras voltaram atrás e retiraram o aumento da passagem, mas a caixa de pandora já estava aberta. Foi em junho de 2013 que o brasileiro começou a querer entender a sociedade em que vive.

Um período de vitórias, violência e despertar político que deverá sempre ser celebrado para que não nos esqueçamos do poder que juntos nós temos.

Não há Estado ou corporação que possa com o povo unido.