o inverno que dura anos

Ucrânia, Kiev, 2014

Durante o inverno Ucraniano de 2013/2014 mais de 1 milhão de pessoas foram as ruas, se concentrando na praça da independência de Kiev que ficou conhecida como Maydan (Praça em ucraniano). O objetivo foi pressionar o governo de Viktor Yanukovich a assinar um acordo econômico com a União Europeia e suspender um acordo assinado com a Rússia, mas a resposta aos protestos foi a repressão policial. A ocupação do centro da cidade começou.

Os manifestantes rapidamente se organizaram em funções em segurança, alimentação, transporte, mídia e outros. Dois soldados fumam enquanto fazem guarda na linha de frente com a polícia militar

As barricada construídas para manter a ocupação de ruas e edifícios no centro de Kiev eram feitas basicamente de sacos de gelo. 

A violência escalou e três manifestantes foram mortos em janeiro de 2014. Após isso a população se revoltou e a mudança agora seria inevitável. Pessoas vieram de diversas partes do país para ajudar a ocupação da capital Kiev e seus edifícios governamentais. Pediam uma reforma na constituição e a saída imediata de Viktor Yanukovich do poder. Em meio as negociações, houveram episódios de violência que levaram manifestantes e movimentos nacionalistas a ocupar o parlamento e a casa presidencial. No dia 22 de fevereiro o presidente fugiu para a Rússia, seu governo caiu e o conflito deixou quase mil pessoas mortas ou desaparecidas. 

A lingual oficial voltou a ser o Ucraniano, Yulia Timoshenko, líder de oposição, foi libertada, a constituição voltou a versão de 2004, a polícia militar foi dissolvida e novas eleições aconteceriam em maio.

Pós queda, pré guerra

O rio Dnipro em Kiev em abril de 2014

Apesar da vitória dos manifestantes, a desconfiança era tanta que os Euromaidans - pessoas que apoiavam os manifestantes - disseram que continuariam a ocupar a região central da cidade até as novas eleições.

O resultado da revolta causou tanta mudança estrutural da sociedade que rapidamente começou a tomar proporções maiores. Grande parte da população no leste do país é de origem russa e apoiava o governo de Yanukovich, não reconhecendo o novo presidente interino em Kiev. As tensões começaram a escalar entre pró Russos e Yanukovich, e pró União Europeia.

Em Odessa, no sul do país, houveram enfrentamentos e a Rússia começou a apoiar os cidadão russos e a pressionar um referendo na Crimeia, ilha que foi transferida da Rússia para a Ucrânia em 1954 e tem a maior parte da população de origem russa. No dia do referendo já haviam forças russas prontas para ocupar a região. O SIM para a separação ganhou e o processo não houve resistência. Foi o primeiro passo que tomou proporções internacionais. Os confrontos começar a ficar mais violentos no leste do país, na região de Donbass, e o país mergulha em uma guerra civil que dura até hoje. Outros dois governos paralelos, com o apoio russo, já se formaram na República Popular de Lugansk e República Popular de Donetsk, ambos reclamados pelo governo de Kiev. Hoje, a guerra está em um impasse. Nenhuma das forças avança mas as hostilidades são frequentes, causando até hoje quase 10.000 mortes, incluindo o trágico abate de um avião comercial MH17.

Ucrânia livre da Rússia, mas também do FMI

Durante todo o conflito muitos grupos políticos e ideológicos começaram a se destacar e se mobilizar. Um deles é o Pravi Sector, movimento nacionalista, já acusados de fascistas ou neonazistas, que estão ligados ao partido Svoboda. Enquanto o governo se reestruturava, a guerra em Donbass se desenrolava e a Ucrânia perdia rapidamente o controle de grandes partes de seu território. Para frear o avanço dos insurgentes no leste, ex militares, ex policiais, médicos, engenheiros, mecânicos, armênios, ucranianos e até russos pegaram em armas e se juntaram ao Pravi Sector. A milícia armada luta contra os movimentos separatistas junto da guarda nacional e o exército ucraniano. Em setembro de 2014, um dos campos de treinamento em Desna preparava mais lutadores.

Quartel usado para o treinamento de soldados do Pravi Sector, em Desna, 60km ao norte de Kiev.

Foto de Viktor Yanukovich na porta do banheiro mais sujo do quartel. Os soldados diziam que era para ter mais vontade de urinar ao ver seu rosto.