Esmaga Sapo e a Especulação

Brasil, São Paulo, Abril de 2014

Com a especulação imobiliária em alta na grande São Paulo, terrenos abandonados por corporativas, ou, pelo próprio governo, servem de moradia para famílias sem condições de comprar uma casa ou pagar um aluguel. Diante dessa situação, muitas comunidades crescem todos os dias na capital paulista e são alvos das grandes empresas do ramo imobiliário.
Coincidentemente, incêndios descontrolados são muito frequentes nesses lugares, como aconteceu com a comunidade do Esmaga Sapo, localizada na Zona Leste de São Paulo, debaixo do viaduto Aricanduva. Foram dois incêndios em 14 meses. O primeiro queimando 30% do espaço; o segundo, em abril de 2014, consumindo 90% de toda a comunidade, deixando seus moradores sem ter onde comer, como cozinhar, tomar banho ou fazer necessidades fisiológicas.
Mesmo com incêndios recorrentes, nada é feito para que haja uma investigação mais profunda das causas dos acidentes. Um fato curioso da favela Esmaga Sapo é que ao lado da comunidade existe um grande terreno de uma das maiores construtoras da cidade. No primeiro incêndio, máquinas trabalhavam para o terreno ficar plano e iniciar a construção dos apartamentos. No incêndio de 2014, 6 torres já estavam erguidas e quase todas concluídas. Exceto uma, que teria a vista de suas sacadas para a comunidade.
Na tarde do incidente, moradores disseram que a Polícia Militar chegou do Corpo de Bombeiros ao local, impedindo-os de tentar salvar alguma coisa de seus barracos. E mesmo dias após o incêndio, a frequente presença da polícia deixava o clima ainda mais tenso. As famílias desabrigadas acabaram dormindo debaixo do viaduto.
A constante luta dos moradores e as diversas tentativas frustradas de diálogo com a subprefeitura da Penha os levaram até a prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, onde fizeram um protesto pedindo o mínimo de atenção para o caso, que já estava virando uma calamidade publica. Porém, a única coisa que conseguiram foi uma cesta básica e um colchão para cada morador.
Esse é apenas mais um caso da grande máfia imobiliária paulista. Destruidora de bairros tradicionais e comunidades estabelecidas há anos para lucrar cada vez mais com suas torres do poder.