Osmar "um dia de carnaval"

Por: Isabella Lanave

“Eu sou festiva”. É assim que Osmar Regis se define. Natural de Goiânia, jornalista, 27 anos e hoje morador do Rio de Janeiro, se vestiu de mulher pela primeira vez aos 16 anos. O objetivo era participar de uma festa do Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, na qual mulheres se vestiam de homens e vice-versa. Desde então, a brincadeira virou rotina.

“Eu não tenho vontade de ser mulher, mas me sinto muito à vontade montada”, conta Osmar, que traz também um significado político para a brincadeira. É como mostrar que existem outros tipos de legendas dentro da comunidade gay e que elas devem ser visíveis e não suprimidas.

Para Osmar, “quando a gente está montada eu vejo que a coisa muda de figura, porque ela passa a ser levada numa brincadeira, não levam a sério. Então quando eu estou montada eu estou em lugares em que eu possa estar, onde as pessoas não vão me criticar”.

Segundo Relatório de Assassinatos LGBT no Brasil, feito pelo Grupo Gay da Bahia, em 2016 foram cerca de 340 mortes de pessoas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, o maior número registrado nos últimos anos.

O Brasil é o país campeão em crimes homo-transfóbicos, e ocupar a rua ainda é um direito violado dessas pessoas.