Ensaio Coletivo

Comecei a fotografar por dois motivos: a rua e o ser humano. 

Por: Felipe Matos 

Andando pelas ruas eu vejo como as pessoas estão desconexas entre si, elas transitam pela cidade desviando o olhar uma das outras. Cada um está correndo atrás de seus compromissos diários de sobrevivência, e isso condiciona ainda mais a se fecharem em si mesmos, ignorando as pessoas que estão ao seu redor. 
Talvez esse seja um dos principais motivos que eu fotografo na rua.

A fotografia de rua no meu contexto de vida, antes de tudo, é relações com pessoas. 
Quando eu saio para fotografar na rua o que eu mais valorizo não é a fotografia em si, pois ela é somente um dos resultados finais, mas sim as trocas de experiências com os outros seres que encontro na caminhada. 

As fotografias que tiro na rua são todas sem autorização, portanto, a maior parte das pessoas fotografadas me abordam para saber o propósito da fotografia. É claro que a minha resposta sempre varia de acordo com a ocasião... rs.

É aí que entra o propósito de tudo isso, o que considero mais importante nessa caminhada. É a troca de informações e experiências com as mais diversificadas pessoas da cidade, de todas as classes e raças. Ao sair para fotografar pessoas na rua eu estou fazendo uma intervenção na vida delas, e elas na minha. Não no sentido de simplesmente capturar a imagem delas, mas sim no sentido de troca de experiências...  

Intervir quer dizer: Interferir em algo, modificar, participar. Ao sair para fotografar pessoas na rua e me relacionar com elas, eu acredito que estou interferindo na consciência delas e elas na minha. Estou modificando a consciência delas e elas também estão modificando a minha. É uma troca de somatórias. 

Ao sair para fotografar sem autorização, já estou invadindo a “privacidade” alheia, e eu gosto disso. Cada pessoa reage de uma forma diferente, e são essas reações que me condicionam a ter incríveis e diversificadas trocas de experiências com cada uma dessas pessoas. Isso proporciona a criação de novos laços e novas intimidades. 

Um grande professor chamado Oshiro uma vez me disse uma frase muito importante: Que a fotografia de rua é uma grande escola, pois nela você quebra muitos preconceitos e paradigmas. É diversificação. Você não conhece a pessoa até conversar com ela e desenrolar umas ideias. Um dos maiores preconceitos que você vai quebrando é de julgar as pessoas pela aparência.

Quando vou fotografar tento buscar por altos contrastes entre branco e preto, e também busco por diagonais, composições desequilibradas e instáveis. Isso porquê a cidade é um ser vivo desequilibrado e desigual... e a minha mente também é um caos. rs.. Como gosto muito de estudar sobre linguagem visual, acabo colocando inconscientemente em prática tudo que eu já absorvi sobre isso.

No final das contas, as fotografias capturadas são somente uns fragmentos das minhas passagens nesse mundo loco, porém ela é efêmera e vai sumir com o passar do tempo.. Mas as trocas de experiências ficam marcadas para sempre na consciência mais profunda, ficam marcadas no espírito. 

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