Ensaio Coletivo

O Ensaio Coletivo de hoje é do José Tramontin, se quiser ver mais do trabalho dele é só segui-lo no Instagram

Na Associação de Recicladores Rei do Pet (Arrep), em Ponta Grossa, Paraná, os trabalhadores têm  uma rotina de trabalho próxima a de uma profissão formal, com jornada e local de trabalho delimitados, diferente de um catador de recicláveis comum, que trabalha com o carrinho na rua. Mas as semelhanças param por aí. 

O trabalho é exaustivo, em meio a toneladas de lixo, de modo que todas as atividades executadas comprometem a saúde dos dezoito associados. Além disso, eles não têm carteira assinada e nenhuma ajuda de custo, como vale transporte ou alimentação, coisas que seriam de grande ajuda, já que a renda de um associado chega em média a R$400,00.

Jocerlene e Marlene caminham aproximadamente uma hora e meia apenas para chegar ao local de trabalho. “Se a gente usar o dinheiro para transporte, a gente não tem lucro nenhum”, conta Jocerlene, que recebeu apenas R$ 127,00 nos últimos 15 dias.

A idade da maioria dos associados já é avançada, passando dos 50 anos, em alguns casos dos 70. Elas desmontam componentes eletrônicos para tirar algumas gramas de cobre, separam toneladas de lixo e depois carregam sacos com mais de 30 quilos. 

O que parecia uma solução para melhorar as condições de trabalho, mostrou-se incapaz de mudar a vida dessas pessoas. “Na rua dava mais. O material era todo meu. Às vezes, eu tinha que buscar de caminhão tudo o que conseguia juntar”, conta Marlene Morais da Silva, presidente da Arrep.