O perigo e a oportunidade do Brasil

Por Rodrigo Jacob

Amigo, sinto lhe dizer mas seu problema não é a tosse, sua tosse é o sintoma.

Sim, pode parecer conversa fiada, afinal, não é justamente a tosse que te faz forçar a garganta até o ponto de sentir dor? É sim, mas não basta eliminar a tosse e continuar gripado, porque se a doença persistir outros sintomas irão surgir. A tosse é só uma manifestação mais perceptível de um problema mais profundo que precisa ser combatido. Não significa que a tosse seja algo bom, mas que, no fundo, não é a tosse o real problema. O médico que apenas combate sintomas perde tempo precioso que poderia estar sendo empregado prara solucionar a raíz do problema.

Qual é a raiz do problema do Brasil? Amigo, sinto lhe dizer mas nosso problema não é o PT.

Nem o mais experiente e inteligente motorista de todos os tempos conseguiria dirigir um carro quebrado sem antes consertá-lo. Da mesma forma, o Brasil precisa de consertos e não de um motorista virtuoso. Entretanto, no caso do Brasil, melhor seria falar em reconstrução, uma vez que os problemas fundamentais estão nos próprios alicerces do nosso Estado “Democrático de Direito”. Meras reformas não bastarão se os incentivos econômicos perversos ainda persistirem.

Neste cenário de crise econômica e política, muitas são as leituras que são feitas da situação, mas vejo poucas reflexões a respeito de qual deve ser o papel do Estado na sociedade. E não me surpreende este fato. A educação brasileira não estimula este tipo de reflexão. O homem é o lobo do homem! Sem o Estado seriamos todos bárbaros! Será mesmo verdade?

E não deveria ser surpresa para ninguém que a educação brasileira, controlada fortemente pelo Estado por meio do Ministério da Educação, não estimula qualquer discussão que pudesse deslegitimar a raíz de seu próprio poder. O livre mercado é pura cobiça e ganância, é a lei da selva da qual apenas o Estado é capaz de nos salvar.

Não é a toa que somos uma geração irresponsável. Quem é responsável é o Estado. Se algo esta errado, vamos reclamar do Estado, vamos protestar contra o Estado, vamos lutar para mudar a lei para forçar o problema a desaparecer. Mas o problema nunca desaparece. Da mesma forma que tornar ilegal uma droga não a faz desaparecer, nem diminuí significativamente o seu consumo.

O que fez uma das maiores empreiteiras do Brasil empregar tantos recursos na “corrupção”? Eram apenas pessoas ruins? A resposta não poder ser tão simplória a ponto de esconder o verdadeiro problema. Era mais lucrativo empregar os recursos da forma “corrupta” do que reinvestir em sua própria atividade. Do contrário, os contratos bilionários com o governo jamais seriam firmados. Se a empresa X não dobra seu joelho ao Estado, certamente a empresa Y irá, especialmente depois de ver a empresa X ruir, com toda sua superioridade ética.

Estou propondo a todos que compraram o modelo do Estado forte, do planejamento central como sendo indispensável, da necessidade de redistribuição forçada de renda, que deem uma chance para o Estado mínimo e a filosofia libertária. A filosofia que, nos seus termos mais simples apenas prega o respeito mútuo, proibição da iniciação da força e o reconhecimento que as trocas voluntárias são o meio mais eficiente de criar valor – e a única forma justa.

Não estamos defendendo o vandalismo, ou manifestações violentas para que isto se realize, de forma alguma. Seria uma ignorância atroz criar um sistema fundado na não violência por meios violentos. Da mesma forma que é impossível criar um sistema justo fundado em uma injustiça (tributação é extorção e o alicerce de todo Estado). Mas acredito que as discussões mais profundas devem acontecer, cedo ou tarde. O problema do tamanho do Estado não é exclusivo do Brasil e não vai desaparecer. Os Estados ao redor do mundo estão crescendo e acumulando cada vez mais funções e responsabilidades e o custo destes Estados recaí sobre todos os seus súditos.

A Assembleia Constituinte de 1987 foi uma grande negociação entre comunistas e corporativistas que pouco tinham em comum com relação aos fins, mas tinham a certeza de que o planejamento central e o Estado forte eram os meios. Nem da direita, nem da esquerda, o livre mercado nunca teve chance.

John Kennedy disse certa vez que os chineses usam duas pinceladas para escrever a palavra crise. A primeira significa perigo e a segunda oportunidade. Em uma crise devemos estar atentos ao perigo, porém devemos reconhecer a oportunidade. Acredito que este é o momento para reconhecermos de forma sóbria e realista que o Estado forte é um vício que muito prometia, mas pouco entregou. Temos a chance de trazer um novo discurso pra política brasileira. Temos a oportunidade de caminhar no sentido da liberdade e da responsabilidade. Não há nada que o Estado faça que nós não possamos fazer ainda melhor de forma voluntária e pacífica.