um panorama sobre assassinatos de LGBTs no mundo.

 

O antigo prédio do INSS ocupado pela Frente de Luta por Moradia, (FLM), no Centro de São Paulo, é agora a nova casa de diversas pessoas que antes residiam em albergues, pensões ou até mesmo na rua. Essas pessoas são idosos, homens e mulheres, famílias inteiras com suas crianças. A diferença desta ocupação é que um grande grupo de LGBTs compõem esta família. 
O que acontece é que de uma maneira ou de outra, quem vive uma orientação sexual “alheia” aos padrões sociais “convencionais” no Brasil é considerado errado ou abominável. O País bate o absurdo recorde de assassinatos de pessoas trans no mundo. A pesquisa é da organização Transgender Europe. Os dados foram coletados de janeiro 2008 a dezembro de 2014 e divulgados no ano de 2015. O levantamento aponta ainda que 51% dos casos registrados nas Américas do Sul e Central aconteceram no Brasil – Foram cerca de 689 mortes em casos confirmados no país durante os anos em que foi feita a pesquisa. O que chama a atenção é que a maioria dos casos é de jovens. Crianças e adolescentes com menos de 15 anos também são mostradas neste levantamento.
Dados atuais da mesma organização revelam que 295 novos casos de assassinatos de transexuais foram registrados de 1º outubro de 2015 a 31 setembro de 2016. O Brasil continua liderando o ranking com 123 mortes neste período. Estas informações são preocupantes se relacionarmos ao numero de mortes na Ásia por exemplo, pois somados os números de 16 países, totalizam 200 casos durante os oitos anos da existência desta pequisa.
No total entre 2008 e 2016 o número de trans sexuais assassinados em 68 países nas seis regiões do mundo é de 2264 em casos apurados pela instituição no mundo, destes, 900 são no Brasil. Uma triste realidade mostrada em números por que dizem respeito a seres humanos mortos por outros seres humanos.
Mas outras ações de grupos ligados a causa LGBT tem surtido efeito positivo em sua luta, prova disso é a aprovação do decreto de lei número 51.180, de 14 de janeiro de 2010, por exemplo, garante que Trans Sexuais possam usar seus nomes sociais em seus documentos de identidade, uma das conquistas dos anos de luta das frentes LGBT de São Paulo.
Isto pode ser visto como um passo ainda muito pequeno perto de tudo o que se pode conquistar na luta contra os preconceitos, mas é uma conquista importante tendo em vista as adversidades que estes grupos vem enfrentando por décadas.
Conversamos com LGBTs da ocupação, confira a baixo.

Natália Olier, trans, 20 anos, cabelereira, conta que desde criança se achava diferente dos colegas de escola e saiu da casa dos pais por causa das brigas constantes devido à sua condição de gênero. Das diversas agressões que sofreu destacou uma:
“Um cara colocou a arma na minha cabeça e uma semana depois bem louco pediu pra sair comigo”.
Natália faz parte do coletivo Arouchianos que visa garantir a visibilidade, a ocupação e à demarcação como território LGBT (simbólico), no Largo do Arouche.

Um cara colocou a arma na minha cabeça e uma semana depois bem louco pediu pra sair comigo”.

Gabriela Rodrigues, gay, 20 anos, disse que não houve nenhum tipo de aceitação em sua casa, brigou com a família e com amigos que a abrigaram após sua saída de lá.
“Já sofri vários tipos de preconceito, mas nós tamo aí pra romper esses preconceitos”.
 Morou em diversos lugares antes de chegar na ocupação. Relatou ainda que entrou junto com outras dezenas de pessoas no primeiro dia.

“Já sofri vários tipos de preconceito, mas nós tamo aí pra romper esses preconceitos”.

Fernanda Ferreira, 20 anos, costureira, Se descobriu trans aos 15 anos.
Ela conta que sofre preconceito diariamente quando sai às ruas.
“Me pararam e me ofereceram programa só porque eu estava com uma roupa curta”.
Fernanda diz que não conhece muito bem sobre a causa LGBT mas que por estar em um ambiente onde as pessoas lutam por seus direitos, agora se sente animada para aprender o máximo que puder para defender seus.

“Me pararam e me ofereceram programa só porque eu estava com uma roupa curta”.

Marcia Araújo, Lésbica, 38 anos, assistente social, ajuda na portaria da ocupação na parte da noite. Morava em Mauá na grande São Paulo e sem condições de pagar aluguel e o transporte pra ir a faculdade decidiu morar na ocupação que ficava próximo ao trabalho. Ela conta que sua orientação sexual não lhe trouxe muitos problemas por ser discreta, mas sempre que comentava com alguém sobre isso começavam a tratá-la de forma diferenciada. “Minha preocupação com minhas amigas virou motivo de desconfiança depois que descobriram que eu era lésbica” Com relação ao seu futuro disse que quer continuar a batalhar pela moradia de outros companheiros mesmo quando conquistar o direito de comprar sua casa em algum dos programas governamentais.

Marcia Araújo, Lésbica, 38 anos, assistente social, ajuda na portaria da ocupação na parte da noite.
Morava em Mauá na grande São Paulo e sem condições de pagar aluguel e o transporte pra ir a faculdade decidiu morar na ocupação que ficava próximo ao trabalho.
Ela conta que sua orientação sexual não lhe trouxe muitos problemas por ser discreta, mas sempre que comentava com alguém sobre isso começavam a tratá-la de forma diferenciada.
“Minha preocupação com minhas amigas virou motivo de desconfiança depois que descobriram que eu era lésbica”
Com relação ao seu futuro disse que quer continuar a batalhar pela moradia de outros companheiros mesmo quando conquistar o direito de comprar sua casa em algum dos programas governamentais.

“Minha preocupação com minhas amigas virou motivo de desconfiança depois que descobriram que eu era lésbica”

Romulo Jhones, estudante de 20 anos, diz que já enfrentou dificuldades para arrumar emprego por ser gay mas que tem esperanças porque onde está hoje as pessoas o respeitam como ele é.
“De todos os lugares que eu passei a vida gay aqui é mais tranquila”.
Jhones perdeu os pais quando criança e relatou que sua família é extremamente homofóbica, por isso saiu de casa. Conta ainda que morou em pensões e albergues e antes de vir para São Paulo, sofreu agressão por ser gay no circo onde trabalhou em Brasília.

“De todos os lugares que eu passei, a vida gay aqui é mais tranquila”.

A tosadora profissional Fernanda Frazão, trans, de 20 anos, contou um pouco sobre sua vida. Ela disse que já sofreu agressões quando trabalhava na noite e nunca teve apoio da família, pois estes não a aceitavam como trans.
“As pessoas não nos respeitam, acham que a gente é lixo”.
Disse ainda que tem esperanças de um futuro melhor e que se sente respeitada onde está agora; pretende arrumar um emprego, conquistar seu espaço na sociedade e ser feliz.

“As pessoas não nos respeitam, acham que a gente é lixo”.