Sem violência - Parte 2 - 5º Ato MPL

“Por conta de manifestação na região central de São Paulo, os ônibus deste terminal terão sua circulação interrompida”. 
Essas eram as palavras que se ouviam nos auto falantes do Terminal Parque Dom Pedro II, na tarde dessa quinta feira, 21 de janeiro. A cena era de pressa: pessoas corriam para tentar embarcar nos últimos ônibus que ainda saiam. 

Foi como começou a tarde do 5º ato contra o aumento das tarifas do transporte, em São Paulo. E como esperado, a aglomeração em frente as catracas daqueles que, depois de um dia de trabalho, voltavam para suas casas, era grande e os funcionários do terminal tentavam acalma-los.

Não demorou para a polícia chegar e se fazer polícia. Tomou o terminal e o encheu com dezenas de homens armados e viaturas, inclusive o blindado israelense de 5 milhões de reais. Isso sem que a concentração do ato estivesse formada. 

Por volta das 17h os manifestantes começaram a chegar e a formar grupos de batucada. Bandeiras, faixas e cartazes tomaram conta do ato. 
Mais cedo, a Secretaria de Segurança Pública informou, em nota, a não aprovação do trajeto escolhido pelo Movimento Passe Livre (MPL), impondo outro trajeto para o ato. Isso ocorreu com menos de duas horas de antecedência e a justificativa foi que outra manifestação já estava ocorrendo em outro ponto do trajeto.

Quantas vezes manifestações já não se cruzaram pelas ruas sem nenhum problema? Havia um impasse: aceitar a imposição da SSP ou seguir o trajeto escolhido pelo MPL? Para evitar que o ato não acontecesse, os manifestantes aceitaram a imposição e seguiram o trajeto da polícia. Era 18:50 quando a marcha começou em direção á Praça da Republica, tudo estava tranquilo até o cruzamento da Avenida São João com a Rua Líbero Badaró, onde a polícia se fez mais uma polícia. Por motivo desconhecido os fortes da tropa de braço começaram a atirar em moradores de rua que assistiam a passagem do ato, nos canteiros da Avenida São João. 

Um momento de muita tensão começou junto com as bombas de efeito moral. O ato, que até então seguia “sem violência”, foi posto ao aviso do que estava por vir.

Com os ânimos acalmados a manifestação seguiu em frente e chegou à República, onde a situação ficou ainda mais tensa. 
A intenção era que ao chegar no destino imposto pelos militares houvesse uma negociação para a continuação do ato até a Assembleia Legislativa, mas não teve conversa. 

Os manifestantes sentaram, conversaram e decidiram prosseguir sem o aval da PM. Foi quando a força tática formou um pelotão com escudos, homens armados com escopetas e bombas para impedir a passagem do ato, que tentava seguir em frente. 

Era o início de mais um massacre promovido pelo estado usando força e brutalidade contra o legítimo direito de manifestação. Afirmamos isso porque o ataque não é apenas em pessoas, mas no direito de expressar a nossa indignação contra uma injustiça. O saldo foi brutal, pessoas sangrando, tiros de borracha a queima roupa, muito gás lacrimogênio e muitas bombas de efeito moral. Efeito moral? Que moral é essa? 

Como se moral fosse explosivo ou como se fosse imposta pela ação de coação mediante força bruta. O que falta é moral nas forças de segurança para impor moral. São anos de genocídio das populações periféricas, são anos de repressão contra os direitos humanos, são anos de carta branca dada pelos IMORAIS da política para que essas ações sejam abafadas e nunca julgadas.

O ato se desfez em minutos e sobraram apenas os feridos pelo caminho. Pessoas com tiro na testa, nos olho e muita gente com hematomas provocados pelos cassetetes em mais essa brilhante atuação do estado paulista.