Ensaio Coletivo

Não morreremos educadamente

por Márcio Pimenta

Em 19 de fevereiro de 2013, em Caarapó, Mato Grosso do Sul, um garoto saiu junto com o seu irmão para pescar em um rio que ficava localizado dentro das terras de um fazendeiro. Eles estavam fazendo o que qualquer garoto de 15 anos faria: não se importavam com cercas ou qualquer outro limite imposto pelos adultos. Ao contrário, quando temos 15 anos, infrigir regras só torna a brincadeira ainda mais interessante.

Mas ele era índio. Podia ser branco, negro, escolham a etnia que quiserem. Mas ele era índio.


O primeiro tiro lhe acertou a orelha. Deitado com a metade do corpo na água e a outra metade nas margens do rio, gritava de dor e desespero. Era noite. Seu irmão que o acompanhava, conseguiu fugir pela mata. A ultima luz que ele viu foi a de uma lanterna que apontava diretamente para ele. E foi desta luz que veio o segundo tiro que lhe acertou a garganta.

Estava morto.

Três dias depois os índios se organizaram e retomaram a fazenda. O fazendeiro que havia matado o garoto teve tempo para fugir com quase todos os móveis da casa.

Uma cruz foi firmada pouco acima das margens do rio.


Edenílson foi privado da sua adolescência, do sorriso, das brincadeiras, da família, da vida. A covardia e a estupidez falaram mais alto naquela noite.
 

Para conhecer mais do trabalho de Márcio, visite: http://www.marciopimenta.com/