Ensaio Coletivo

O futuro do Boxe Cubano

Por: Henry Milléo

Nem bem entro no Gimnásio de Boxeo Niños de Cuba, Daniel Casanova me diz, apontando quatro garotos que estão ali: “esse é o segredo do boxe cubano; começar cedo”. São 3 horas da tarde, fazem quase 40 graus e os garotos se escondem do sol encostados na parede.

Karl é o mais velho, tem 10 anos de idade e treina há um ano. Eriante e Ernesto têm 6 anos e Yanguiel tem 7. Os quatro são o que sobrou dos 25 alunos que Casanova tinha. O restante abandonou o boxe para treinar nas escolas de futebol – a nova mania dos jovens cubanos, fanáticos pelo Barcelona de Messi.

A preparação começa com um aquecimento. Corridas, alongamento e socos no ar debaixo do sol. A academia funciona em um terreno baldio entre dois prédios. Não há cobertura e o ringue fica ao fundo, feito de tábuas velhas e apodrecidas e montado sobre uma armação de metal já enferrujada. Na escada, faltam alguns degraus e os garotos sofrem para subir.

Não demora muito para Ernesto derrubar o oponente. Um soco certeiro na cabeça e Yanguiel cai – ele ainda cairia outras duas vezes durante a luta. O combate termina com a terceira queda de Yanguiel, que recebe as palavras de apoio do treinador e um grande gole de água.

Uma sessão de flexões e abdominais é o sinal do fim do treinamento do dia. Os garotos saem pela porta de metal que separa o terreno da rua no bairro de Havana Velha e no caminho para casa seguem conversando e fazendo piada com o perdedor do dia. Casanova acompanha os meninos com os olhos até que eles virem a esquina e depois se volta para um jovem de 17 anos que já começou o aquecimento para o treino. “Dos grandes, só me restou esse”, me diz com o olhar triste enquanto aponta para o jovem musculoso que troca socos com a sombra na parede. Mas logo bate palmas e fala em voz alta: “vamos, vamos que o ringue não espera”.

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