Magal Touba 18 de Safar

O mês de novembro é de grande significado para o povo Senegalês, nesse mês eles comemoram o 18 de Safar em agradecimento a Serin Touba, sendo essa a maior peregrinação religiosa do Senegal e costuma atrair mais de três milhões de pessoas para a cidade de Touba, localizada na região nordeste do país onde está situado o mausoléu do seu fundador, Ahmadu Bamba.

É uma celebração que rememora a volta do seu exílio e preserva a cultura do Mouridismo, uma ramificação do Islã que mistura os ensinos do profeta Maomé e valores provenientes da cultura Wolof.   

Em São Paulo as comemorações se concentraram na Rua 7 de Abril no centro da capital paulista que reuniu cerca de mil e quinhentos Muçulmanos não somente do Senegal, mas de países vizinhos como Gambia, Guiné-Bissau, Mali e Guiné. 

A festa teve inicio por volta das 10 horas da manhã e se prolongou até o cair da noite, com comida farta, sorrisos e roupas deslumbrantes, mas o que mais se percebia quando se adentrava no local de reza era a concentração e a conexão com Allah que todos procuravam.

 A todo momento a leitura do alcorão reunia centenas de devotos em busca do tão esperado contato com o divino. Todos rezavam agradecendo por todas as coisas boas que Allah colocou no mundo e em suas vidas, e depois de algumas horas de leitura do alcorão saiam para comer algo e logo retornavam para seus lugares.  

Mais que uma comemoração religiosa o Magal Touba é o símbolo de resistência do povo Senegalês, que nessa mesma data, toda a nação comemora a libertação do Senegal da França, que na época era o maior inimigo do Islã. 

" No Senegal nessa data, o povo todo vai para as ruas, não que todos sejam muçulmanos, mas vamos comemorar nossa liberdade daqueles que nos faziam muito mal, e nesse dia, claro que comemoramos o Magal Touba por que somos muçulmanos, mas pessoas de todas as religiões do Senegal se juntam à nós numa grande festa, para comemora o amor e os ensinamentos de Allah e de qualquer outro Deus que sigam. O Magal Touba é uma festa do povo para ajudar os mais necessitados assim como ensinou nosso grande mestre", diz Youssun um dos organizadores do 18 de Safar Magal Touba. 

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LGBT

Ser um vulnerado não lhe permite sorrisos de bom dia para cavalos. Uma violada que fuma bituca de US com vodka safada e refrigerante barato, é bicha velha, pobre vulnus. 

Vivem socadas nos universos protetores dos salões de beleza enigmaticamente mágicos, pobres trans manicures e deusas cabelereiras. 

Condenadas nordestinas pobres e pretas, vomitam a fole nessa celebração misto de manifestação, os odores de seus corpos cansados e maltratados nesse Recife forjado, cidade maldita. 

Todo o meu amor às suburbanas, periféricas, violadas e vulneradas desse lugar. Eu sou todas vocês! 
Filipe Mendes


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Catadores pedem PAZ!

Cerca de 200 pessoas se reuniram na rua Mourato Coelho em Pinheiros na zona oeste de São Paulo na tarde desta quinta feira, 13 de julho, para protestar e homenagear o catador Ricardo Silva Nascimento de 39 anos.

Os manifestantes gritavam por justiça e pelo fim da polícia militar em uma marcha fúnebre que contou com apoio de diversas pessoas que se sensibilizaram com a morte do catador.

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Ricardo foi assassinado por um policial militar em serviço na noite da última quarta feira, 12 de julho. Segundo testemunhas, a polícia foi chamada após uma discussão entre Ricardo e o funcionário de uma pizzaria, o funcionário lhe negou um pedaço de pizza.

Com a chegada da polícia as coisas se agravaram e um policial atirou contra Ricardo atingindo-o no peito, em seguida mais dois disparos depois do corpo já caído ao chão.

Os próprios policiais recolheram as cápsulas das balas e o corpo do catador, mesmo antes da perícia da polícia científica, desrespeitando o procedimento padrão a qualquer investigação. A polícia civil está investigando o caso segundo informações da Ponte Jornalismo.

Velórios & Furiosos

Ontem após a decisão do juiz Sério Moro condenando o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, grupos opostos de manifestantes prontamente chamaram protestos na Av. Paulista. "Esquerda e Direita" no mesmo local, no mesmo horário. De um lado, euforia alegria e aquela intolerância com quem discordasse das suas ideias ou simplesmente vestisse vermelho. Do outro, um clima mórbido, sombrio, de tristeza e muita preocupação com os próximos passos que a atual conjuntura politica está caminhando. Com vocês Velórios & Furiosos.

"Greve Geral"

Nesta ultima sexta feira,30, São Paulo e outras cidades do Brasil, aderiram à Greve Geral, mas o que pudemos ver em São Paulo e em outras cidades foi a baixa adesão de movimentos sociais e sindicatos. A cidade parecia viver mais um dia normal com pequenos bloqueios em certos pontos da cidade. E com ônibus e metrô funcionando normalmente, diferentemente da ultima Greve Geral do mês de Maio.  E nós do R.U.A Foto Coletivo acompanhamos as movimentações durante todo o dia de Greve Geral.

Durante a tarde outro grupo se concentrou na Praça da Sé, e seguiu em direção a Av. Paulista.

Conhecendo @s selecionad@s para o Joop MasterClass deste ano!

Neste ano, os selecionados para o Joop Swart Masterclass foram 7 mulheres e 5 homens. Uma pequena vitória. Visto que, na grande maioria de concursos e festivais, os homens estão sempre em maioria. 
O Joop é uma iniciativa do Word Press Photo Fundation, uma organização que apoia o desenvolvimento e a promoção do jornalismo em suas vertentes visuais. Hoje o Word Press Photo ainda é um dos prêmios mais importantes em fotojornalismo e narrativa multimídia no mundo. 
O Joop Swart Masterclass existe desde 1994, e, todos os anos, reúne jovens fotógrafos promissores com fotojornalistas mais experientes para compartilhar e transmitir seus conhecimentos e histórias. 
Neste ano, foram 187 fotógrafos indicados de diversas partes do mundo, sendo 3 deles brasileiros; Felipe Dana, Felipe Larozza e Tiago Coelho. Deste total, 7 jurados, incluindo uma fotógrafa brasileira, Marizilda Cruppe, escolheram os 12 finalistas e participantes do Joop Swart Masterclass. 
São jovens com trabalhos muito consistentes e criativos. Vamos conhecer um pouco de cada um deles? 

ADRIANE OHANESIAN 

Boiling Point // South Sudan  - Ponto de Ebulição // Sudão do Sul

O ensaio retrata o Sudão do Sul, após se tornar o mais novo país do mundo, em 2011. Essa independência, também colocou fim a mais longa guerra civil na África. Porém, não demorou muito, para que tensões étnicas internas se disseminassem por todo o país em dezembro de 2013. Mais de 2,2 milhões de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas. Acordos de paz são repetidamente quebrados e os civis continuam sofrendo de um dia para o outro.  

O trabalho de Adriane é uma denúncia brutal desse sofrimento. Um pedido silencioso de ajuda que, após vermos essas fotos, continua a ecoar por nossa mente. 

Para ver o ensaio completo e conhecer mais do trabalho da fotógrafa:

BOILING POINT - PONTO DE EBULIÇÃO
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ALEJANDRO KIRCHUK

Never let you go - Nunca deixa-la ir

Fotografar a família requer coragem. Entrar em suas mais íntimas emoções e reações, conviver com as diferenças. Aprender a respeita-las. Alejandro fotografou seus avós por quase 3 anos, desde o momento em que sua avó, Mônica, foi diagnosticada com Alzheimer, aos 82 anos. A partir daquele momento seu avô, Marcos, dedicou todo o seu tempo para cuidar dela, dando um novo sentido para sua vida, uma nova razão para viver. 

As fotos, demonstram um cuidado e carinho imenso doado por esse avô, que com o avanço da doença tão pouco era reconhecido por Mônica. E ao mesmo tempo, uma nova relação entre neto-avô-avó, sendo que o fotógrafo começou a redescobrir momentos de sua infância a partir deste projeto. Ter um parente com Alzheimer altera a vida de todas as pessoas que vivem perto do paciente.  

Para conhecer o ensaio completo e mais do trabalho do fotógrafo: 

NEVER LET YOU GO 
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DARO SULAKAURI

Terror Incógnita

Um retrato de Pankisi, um desfiladeiro na Geórgia que serve de refúgio para chechenos escaparem guerra mortal em seu país.

A vida adaptada em grupo, o terror de fugir de uma guerra, a solidão, são alguns dos desencadeamentos que uma crise de refugiados pode criar e é o que Daro vai atrás. Desde dezembro de 1994, quando a guerra estourou entre o governo central russo, Pankisi se tornou um ponto de fuga para os refugiados da Chechênia. O desfiladeiro, apesar de não ser reconhecido ou monitorado oficialmente por agências internacionais, é um refúgio do terror patrocinado pelo Estado para milhares de pessoas que, ironicamente, são acusadas de travar o terror em suas casas.  

Para conhecer o ensaio completo e mais do trabalho da fotógrafa: 
TERROR INCOGNITA
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RAHIMA GAMBO

Education is Forbidden - Educação é Proibida

Apoiada pela International Women's Media Foundation (IWMF), Rahima Gambo faz um documentário multimídia que analisa como os alunos retornam à escola no nordeste da Nigéria, no meio do conflito de Boko Haram. As marcas, mais do que visuais, vivem na cabeça desses jovens estudantes. 

Veja aqui o projeto completo "Education is Forbidden". 

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EDUCATION IS FORBIDDEN
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HEBA KHAMIS

Women of villages - Mulheres da Aldeia

Mulheres da aldeia enfrentam grandes desafios em sua jornada cotidiana, uma jornada cheia de luta, mas que também é esperançosa.
A sociedade não pode imaginar um lugar para uma mulher, exceto em sua casa, com sua família e sob o controle do marido. Devido a isso, as mulheres bonitas da aldeia enfrentam uma escolha rígida: eles podem morrer de fome ou quebrar as regras. Cada uma delas tem uma história diferente, mas todas começam no mesmo lugar: quando a fome as empurrou até as lágrimas.
Quando uma mulher sai de sua casa, ela enfrenta um dia cheio de provações e tribulações. Toda manhã ela diz adeus a uma comunidade que a despreza. A carga que carrega em sua cabeça quase a quebra. Ela deve correr para um trem que não vai esperar. Se ela pegar, o trem irá embalá-la, balançando durante as cinco longas horas até seu destino. Quando ela chega, ela enfrenta a incerteza de saber se as pessoas vão comprar ou não os seus bens. Sua esperança é voltar para casa naquela noite com uma carga mais leve e menos dolorosa. Centenas de mulheres da aldeia carregam suas cargas em grandes cidades todos os dias, de cidades como Monufiya, uma distância de 151 km, e Tanta, 132 km de distância. Cada mulher transporta mais de 100 quilos de bens como queijo, leite e manteiga.
Mesmo que as mulheres sofram, seus trabalhos estão fornecendo os meios para educar seus filhos e dar-lhes uma vida melhor.
Esta é a esperança escondida dentro das dobras do sofrimento.

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WOMEN OF VILLAGES
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HICHAM GARDAF

Intersections - Intersecções

Nos últimos dez anos, Marrocos passou por uma extensa transformação urbana e sociocultural. Projetos de desenvolvimento sem precedentes de moradias, shoppings e projetos imobiliários em torno dos subúrbios das grandes cidades foram empreendidos com velocidade notável. Este projeto explora franjas e fronteiras urbanas, onde a coexistência da sociedade contemporânea com a natureza é melhor caracterizada pelo constante empurrão de Espaço urbano na terra.
Além dessa evolução / transformação física, há a dimensão invisível da transformação cultural. Este projecto enquadra as intersecções entre a terra primitiva e o espaço urbano, a modernidade ea tradição ea consequente redefinição da identidade marroquina.

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INTERSECTIONS - INTERSECÇÕES
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JUANITA ESCOBAR

LLANO

Fotógrafa autodidata, o seu trabalho com a fotografia documental é inclinado para o ser humano em relação ao ambiente, para a natureza em todas as suas manifestações. Seu trabalho mais importante foi realizado nas Planícies do Estado de Casanare (Colômbia), onde mantém fortes raízes.

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KEVIN FAINGNAERT

CATCH

Uma série sobre o pequeno mundo da luta profissional na Bélgica. 

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MICHAEL VINCE KIM

Aenikkaeng - Agave mexicano

Em 1905, cerca de 1.000 coreanos chegaram ao México a bordo do SS Ilford. Partiram de um país empobrecido buscando prosperidade em uma terra paradisíaca. No entanto, uma vez que chegaram a Yucatán, eles foram vendidos como empregados contratados.

Eles estavam preparados para trabalhar em plantações de Henequen em condições difíceis, colhendo um agave conhecido como ouro verde de Yucatán. Eles trabalharam lado a lado com os maias locais, muitas vezes aprendendo a língua maia ao invés do espanhol de seus mestres, e muitos se casaram com os maias. No momento em o contrato de trabalho terminou em 1910, a Coréia já havia sido incorporada ao Império japonês. Sem pátria para retornar, eles decidiram ficar no México. Alguns passaram a buscar trabalho em outros lugares do México e em Cuba.

A partir de histórias contadas pelos descendentes de trabalhadores coreanos de Henequen no México e em Cuba, o projeto é um relato poético de suas memórias.

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AENIKKAENG 
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MOJGAN GHANBARI

Zanan

O projeto, intitulado de Zanan - uma palavra persa que significa Mulher, vem como uma resposta para a maneira como mulheres iranianas são retratadas para fora do seu país. Durante 20 anos as imagens que saem do Irã retratam mulheres veladas e oprimidas, uma percepção estereotipada pela mídia. Mojgan, sendo uma mulher iraniana e observando como a realidade em seu país vai muito além dessa imagem, documentou a identidade feminina no Irã hoje a partir de tradições antigas, modernas e religião. 

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ZANAN
MOJGAN GHANBARI    


REBECKA UHLIN

The Marriage (2011-present) - O casamento

Esse projeto reflete a relação entre uma neta e seus avós, casados há 59 anos. Quando pequena, Rebecka era fotografada por seu avô no antigo estúdio de retrato que possuía. A casa de seus avós era o lugar preferido da neta, “havia segurança lá”, diz ela. Hoje, Rebecka mora com eles e o que lhe instiga é descobrir o que acontece com a individualidade de uma pessoa depois de viver uma vida inteira em união.

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SHADMAN SHAHID

AJNA

"A palavra Ajna é sânscrito, significando o olho que se usa para ver o imaterial. Observar o que é sem forma. Minha história é sobre explorar a própria existência. Uma tentativa de encontrar as respostas para as perguntas de por que e quem. É minha jornada pessoal rumo ao cumprimento.

Não tenho certeza se minha história se baseia completamente no irreal ou fantástico. Eu gostaria de pensar que existe alguma forma de realidade na história. Os assuntos com os quais eu lido existem e a maneira como sua existência é expressa para mim é real. Os lugares que descrevo ou os personagens que retratam existem em mitologias e em livros de simbolismo. Eles também existem em minha mente."

Para conhecer o ensaio completo e mais do trabalho do fotógrafo:
AJNA  
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3ª Marcha contra a Lei de Imigração

Não é nenhuma novidade o aumento dos protestos da Direita desde os grandes protestos que tomaram conta do Brasil em 2013 e que se intensificaram maciçamente em 2015 e 2016, com protestos que apoiaram o golpe e acabaram derrubando a então Presidente do Brasil Dilma Rousseff.  

Também não é nenhuma novidade que as pautas de seus protestos são as das mais bizarras e ofensivas à grande parte da população brasileira. E ontem (17/05) não foi diferente.  

O grupo denominado Direita São Paulo foi ás ruas da capital paulista contra a nova Lei de Imigração no País, com os argumentos de que governo brasileiro estaria abrindo suas fronteiras para terroristas, se referindo aos refugiados do Oriente Médio que fogem de seus países em guerra.  

Com muitas afirmações levianas em relação a religiões de origem muçulmana, classificando o Brasil como um país originalmente cristão, essa pequena marcha, que tinha por volta de 80 integrantes, caminhou pela Av. Paulista saindo da frente do Shopping Cidade São Paulo, até a Praça do Ciclista

 Durante o trajeto os manifestantes gritavam: "Deus, Pátria, Família", "12345mil queremos Bolsonaro presidente do Brasil", "Intervenção pra salvar nossa nação", "Não à Lei da Imigração".  

Se não bastasse o grande aparato militar protegendo a marcha, eles tinham seus próprios seguranças que a todo momento caçavam pessoas que aparentemente seriam contra as suas ideias.

 Com essa crescente da Extrema Direita podemos afirmar que as eleições presidenciais de 2018 serão no mínimo conturbadas e sombrias. 

A culpa é da corrupção ou do combate a ela?

Lula indo depor em Curitiba, 10 de Maio de 2017

Mais um episódio de "Brasília é logo ali" chega ao fim, deixando aquele gostinho de quero mais. Mais uma vez a política se torna um dos espetáculos favoritos dos brasileiros. Desde que a crise política no Brasil se acirrou temos tido a impressão de que entendemos cada vez mais do que é fazer política nesse vasto país continental, porém, a realidade é que com a tecnologia da informação e a exposição das obscuridade que é a estrutura nacional, estamos cada vez mais perdidos em um mar de dúvidas. Já dizia George Orwell, "ignorância é liberdade". Na mosca, George.

Está na hora de tentarmos fugir um pouco desta situação, começando por refletir porque líderes políticos agem como agem. É muito fácil achar que faríamos diferente ou que as decisões tomadas são malignas, mas a verdade é que isso não passa de um conforto para nossa vaidade. A política e as estruturas de poder necessitam de ações que vão a favor dos interesses daqueles necessários para mantê-la de pé. Achar que um presidente vai salvar o povo ou um juiz liberta-lo, é dos menos criativos contos de fadas. Se Lula esteve um dia na presidência do Brasil, não foi somente porque o povo elegeu. Ele chegou onde chegou porque convenceu pessoas, líderes ou pequenos grupos necessários (base necessária) para chegar e se manter no poder até hoje. O poder que Lula tem ainda hoje é indiscutível. O fato de que muitos seguidores o enxergam como uma divindade, considerando-o de certa forma o atual e legítimo presidente desde 2003, mostra a sua habilidade de persuasão. Bruce Bueno de Mesquita e Alastair Smith desenvolvem várias regras dentro da política em seu livro "O manual do Ditador", e duas delas são bem claras nesta situação.

1: O principal motor da política é o interesse próprio.

2: Nenhum líder governa sozinho. 

As análises de Mesquita e Smith são minuciosas e enquadram diversos episódios históricos e recentes. A situação brasileira não seria diferente do todo. Lula precisou usar da sua influência para recompensar apenas aqueles necessários para se manter no poder. Fez por interesse próprio e pelo interesse de seus próximos. Isso não torna Sérgio Moro um salvador. Moro conquistou seu cargo de juiz com grande esforço, mas a partir do momento que entra para o sistema, ele faz parte dele e está sujeito as mesmas regras. Se está na posição de herói é porque conseguiu convencer aqueles que o mantém assim. Nada vem de graça. Nada. O status de herói é uma aposta de uma outra base necessária, oposta a de Lula.

E quanto ao povo? E a democracia? Claro, o povo, aquele que vota e se expressa, tem uma certa voz, uma certa influência, pois é a principal fonte de riquezas daqueles que conseguem acumular, mas o que é ignorado é que essa é uma voz miúda e facilmente manipulável via ideologias. O contrário acontece com os altos níveis da política. O manual do Ditador aponta também que ideologias não afetam os líderes e suas bases com facilidade. A base para as decisões são extremamente lógicas, com eventuais decisões emocionais. 

O que parece haver em relação ao último espetáculo em Curitiba é que os líderes e suas bases estão em um equilíbrio, porém frágil, de forças e estão lutando para conseguir aquela voz miúda a mais. Existe um embate de forças, da qual nós, o povo, desconhece, e aparentemente vencerá aquele que nos convencer com suas histórias e ideologias. De um lado grandes corporações, incluindo a imprensa tradicional e alguns setores que viram uma oportunidade de enriquecimento (seja de poder ou capital), do outro boa parte da estrutura estatal, uma militância bem criada e a chamada “mídia independente”, que é ironicamente ligada a toda esse esquema. Enquanto isso vamos ver se vai colar a história de democracia e denúncias por questões irrelevantes para o país tais como um Triplex no Guarujá ou tirar milhões da pobreza, que além de questionável, é passado. O marketing virou a principal arma do conflito. Com certeza Lula agiu contra leis brasileiras. Acontece que todo e qualquer político de alto escalão vai fazer o mesmo, porém enquanto a base necessária estiver recebendo suas recompensas, cargos e influências, a vista grossa vai reinar. A partir do momento em que os ventos mudam, começam-se manobras para que outros líderes passem a prometer recompensas melhores ou mais duradouras. 

Onde ficamos então? Desistimos de um projeto democrático? Não sei. Não quero desencorajar ninguém, mas apontando o que eu vejo como verdade é um passo para possivelmente um mundo melhor. Gostaria de terminar com um trecho do depoimento do ex-presidente, que independente de moral, caímos em um sistema onde a maioria e os mais frágeis sofrerão, justiça seja feita ou não. 

Lula: O Sr. se sente responsável pela Lava Jato ter destruído a indústria da construção civil neste país? O Sr. se sente responsável por 600 milhões de pessoas que já perderam o emprego nos setores de óleo e gás da construção civil?

Moro: O que prejudicou essas empresas foi a corrupção ou o combate à corrupção?

Lula: Foi o método de combater a corrupção.

E agora? Aceitamos que a corrupção faz parte do sistema? As leis são para proteger um sistema que ela mesmo destrói? Uma coisa é certa: Lula na cadeia não vai acabar com a corrupção.